Alerta para instalações antigas

  • set 19, 2017 Alerta para instalações antigas

    Veículo: A Tribuna 30 de Outubro de 2016

    Autor: Carla César Martins, doutora em Engenharia Elétrica e professora do Departamento de Engenharia Elétrica da Ufes; Ronimar Spindula Volkers, engenheiro eletricista e professor de Engenharia da Faculdade Multivix; Rafael Leal, engenheiro eletricista e coordenador do curso de Engenharia Elétrica da UCL; major Carlos Wagner Borges, do Corpo de Bombeiros Militar e EDP.

    Fundado em 2005 no Brasil com a finalidade de levar ao usuário final informações sobre os perigos de uma instalação elétrica inadequada, o Programa Casa Segura já se espalhou por outros países, como Argentina, Chile, México e Peru. O diretor e coordenador do Casa Segura, Antonio Maschietto, explicou que o programa é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Cobre (Procobre), cujo objetivo é conscientizar a população. Para ele, um dos grandes problemas atuais quando o assunto é rede elétrica é que as instalações antigas não comportam a quantidade de eletrodomésticos de hoje. “O País tem quase 80 milhões de estoque de imóveis usados. Quem comprou um apartamento que já tem, por exemplo, 20 anos, deve repensar sua parte elétrica. A potência dos aparelhos hoje é muito maior. Um chuveiro que antes tinha 1.500 watts de potência hoje pode ter até 8 mil watts. ” Na entrevista a seguir, Maschietto fala mais sobre os cuidados que os moradores têm de ter.

    A TRIBUNA – Quais são os cuidados que é preciso ter com os eletrodomésticos?

    ANTONIO MASCHIETTO – Um dos cuidados mais importantes é com relação à potência dos aparelhos. Se a instalação elétrica não suporta essa potência, pode ocorrer sobrecarga de energia. E isso pode aquecer os condutores elétricos e ocasionar curtos-circuitos e até incêndios.

    > Na cozinha, quais são os maiores riscos?

    Um exemplo clássico é quando se liga o micro-ondas e a máquina de lavar louça ao mesmo tempo. Mesmo que eles estejam em tomadas diferentes, podem, ainda assim, estar no mesmo circuito. Aí, por conta da sobrecarga, o disjuntor cai. O que acontece é a que a maioria das pessoas troca o disjuntor por um de maior amperagem, quando na verdade o problema é o cabo que não suporta aquela potência elevada. Trocar o disjuntor mascara o problema.

    > Existe uma forma segura de usar o T?

    Depende da potência dos aparelhos ligados juntos. Se forem dois carregadores de celular, por exemplo, com potência pequena, não há problemas. Mas aparelhos com potência alta, como ar-condicionado, micro-ondas, fritadeira, não devem ser ligados juntos. Há risco de choques, curto-circuito e incêndios.

    Entenda as instalações

    Disjuntor

    É usado para proteger o sistema elétrico contra sobrecargas e curtos-circuitos. Geralmente, quando um disjuntor desarma, a primeira ideia que se tem é de substituí-lo por um de maior capacidade. Isto está errado, porque o disjuntor é projetado em conjunto com o cabo, servindo como um limitador de corrente para que o cabo não conduza uma corrente maior do que ele suporta. Então, o correto seria verificar se o cabo da instalação suporta a corrente nominal do novo disjuntor a ser instalado. Caso contrário, deve ser trocado o cabeamento, além do disjuntor.

    Cuidados

    Tomadas com aspecto amarelado, e em alguns casos até mesmo preto, devem ser trocadas porque estas colorações são indícios deque houve ou está havendo sobrecarga. É preciso ficar atento ao superaquecimento e aos barulhos estranhos dos aparelhos, o que pode indicar algum problema e provocar também curto-circuito interno.

    Curto-circuito e incêndio

    Um curto-circuito pode acontecer por uma falha do próprio equipamento ou também por conta de uma sobre carga elétrica (quando há muitos aparelhos com potência alta ligados ao mesmo tempo, mesmo que em tomadas separadas, ou quando há muitos aparelhos ligados na mesma tomada). Essa sobrecarga ocorre quando a corrente elétrica que passa pelo condutor é maior do que a que ele suporta. Assim, o condutor pode derreter e causar o curto-circuito. Já o incêndio vem após o curto-circuito em situações mais graves, em que não ocorre a atuação do disjuntor, causando aumento expressivo da corrente elétrica.

    Revisão

    O ideal é que se contrate uma vez por ano um profissional para fazer a revisão elétrica da residência, principalmente se a instalação for antiga. Ele é o responsável por fazer a leitura do projeto de instalação elétrica e descobrir, por exemplo, se há algum problema. Vale, inclusive, contratá-lo antes de ligar aparelhos com alta potência (como o ar-condicionado) para que ele verifique se os fios estão dimensionados para a potência do novo equipamento.

    Análise

    Autor: Cyro Bach Monteiro, Presidente do Sindicato Patronal dos Condomínios no Estado (SIPCES)

    Título: “Consumo deve ser sempre verificado”.

    “Quando se faz a concepção de um edifício ou uma casa, o responsável imagina ali uma determinada quantidade de eletrodomésticos. Mas o que acontece é que muitas vezes as pessoas adquirem mais aparelhos do que foi previsto. Então, é muito importante que os condomínios estejam atentos a isso para possíveis ajustes, inclusive contratando, junto à distribuidora, quando for necessário, mais energia. O estudo pode ser feito por um profissional da área, que consegue medir a quantidade de watts que está sendo utilizada pelo condomínio. O objetivo é evitar os picos de energia que acabam ocasionando a queda de energia. Em Vitória, as quedas já são muito comuns devido a problemas da rede em si, mas os prédios podem se prevenir estudando melhor o seu histórico de consumo. Vale investir na conscientização dos moradores, levando profissionais da área para explicarem sobre a parte elétrica. ”

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