Relatório aponta falhas em obra

  • set 18, 2017 Relatório aponta falhas em obra

    Veículo: A Tribuna 21 agosto de 2016

    Autor: Luciana Almeida

    Um relatório de vistoria técnica realizado pela empresa que fez o projeto estrutural da área de lazer e garagens do condomínio Grand Parc Residencial Resort, na Enseada do Suá, Vitória, apontou falhas na construção da área que desabou. A empresa foi a responsável pelo cálculo estrutural do condomínio. O desabamento na área de lazer do condomínio ocorreu na madrugada do dia 19 de julho, e deixou uma pessoa morta e quatro feridas. As visitas para a coleta de informações para o relatório foram realizadas por engenheiros da empresa MCA Tecnologia e Estruturas, nos dias 2 e 10 deste mês. O relatório aponta falhas no posicionamento das armaduras e cordoalhas (cabos de arame de aço da laje); cabos de aço sem proteção contra corrosão; altos níveis de corrosão nas ferragens e falta de grout (argamassa composta por cimento, areia, quartzo, água e aditivos especiais, que tem elevada resistência) nas estruturas. Apontou também que houve uma inversão na estrutura dos pilares, durante a construção. Segundo o relatório, havia ainda trincas nas piscinas, material corrosivo armazenado em local inapropriado e várias “gambiarra s” na passagem de tubulações no local. Segundo o coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Civil do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado (Crea-ES), Jaime Oliveira Veiga, o conselho já tem conhecimento do relatório, mas trata-se de um documento preliminar, não oficial. “É um relatório que não tem valor jurídico. Ele aponta, por exemplo, que cabos se romperam antes do desabamento. São pontos que estão colocados no relatório, que terá cada detalhe analisado. ” Veiga destacou que o Crea tem dado todo o suporte técnico para a investigação das causas do desabamento e no levantamento de informações para a perícia oficial, que está sendo feita pela Polícia Civil. O coordenador do Comitê de Gestão de Crise do Condomínio, José Gama de Christo, disse que os moradores não vão comentar o relatório, por não ser oficial. A Polícia Civil informou, em nota, que esse não é o laudo oficial, e que o caso continua sob investiga- ção e não irá se manifestar até a conclusão do inquérito policial. O advogado da MCA Tecnologia e Estruturas, Ímero Devens Jú- nior, disse que a empresa não vai se pronunciar neste momento.

    O QUE DIZ O RELATÓRIO

    Conclusão A conclusão do relatório da MCA Tecnologia e Estruturas, a que A Tribuna teve acesso, aponta que foram identificadas diversas falhas de execução na montagem do posicionamento das armaduras e cordoalhas (cabos de arame de aço), constatando-se graves erros de construção. Segundo o relatório, foi observada a existência de cabos rompidos anteriormente ao desabamento sem que fossem providenciados substituição ou reparo. Esta sequência de anomalias, erros e vícios de construção generalizados na laje, somados ao rompimento de cabos, teriam sido determinantes para o desabamento da estrutura, de acordo com o relatório.

    Construtora diz que laudo é um desrespeito

    Após a divulgação do relatório de vistoria técnica estrutural da MCA Tecnologia e Estruturas, que apontou supostas falhas na construção da área de lazer que desabou no Grand Parc, a construtora Incortel, informou que considerou o documento opinativo e desrespeitoso, já que há uma perícia judicial sendo realizada no local do desabamento. “A empresa recebeu com perplexidade a divulgação do relatório opinativo da MCA Tecnologia de Estruturas, considerando que, neste momento, tramita uma medida judicial para produção de provas, cujos trabalhos encontram-se em andamento, e que garante amplo direito de acompanhamento das partes envolvidas e interessadas na apuração dos fatos”, disse em nota. “Somente o perito nomeado pela Justiça poderá apresentar laudo técnico sobre este assunto e somente o juiz que conduz a questão poderá, em face de todos os relatórios apresentados, concluir a respeito do mesmo”, acrescentou. A construtora disse ainda que contratou uma equipe técnica “composta por profissionais de alto gabarito e renomados no País” e que, durante este período, produziu relatórios com provas irrefutáveis. “Divulgá-lo no todo ou em parte seria fazer da lei uma opção e não um dever”, ressaltou. Para a Incortel, na medida em que a MCA divulga relatório com sua opinião unilateral, feito por assistentes técnicos contratados e pagos por ela, “demonstra um desespero incondizente com a seriedade e respeito que a questão exige.” Na avaliação da construtora, trata-se de uma forma de manipular a opinião pública, por se tratar de um material sem respaldo legal. “A atitude leviana é desrespeitosa com todas as partes interessadas que a verdade prevaleça, inclusive com as autoridades policiais que se encontram em fase de investigação do acidente ocorrido.” A Incortel afirmou ainda que tomará as medidas judiciais cabíveis, nos âmbitos civil e criminal para “garantir que os fatos possam ser apurados com o devido respeito às autoridades competentes e às partes envolvidas”. “Sabedores, que somos, de estar sob e não sobre os desígnios da lei, faremos dela uma aliada na busca à verdade”, frisou. Na manhã de ontem, a reportagem de A Tribuna procurou a construtora Cyrela, mas até o fechamento desta edição a empresa não havia se pronunciado.

    NOTA :

    Somente o perito nomeado pela Justiça poderá apresentar laudo técnico sobre este assunto Trecho de nota da Incortel

    Perícia judicial em andamento

    CADA UMA DAS partes envolvidas no processo está realizando uma perícia: o condomínio, que contratou uma empresa para realizar os trabalhos; a Cyrela e a Incortel, responsáveis pelo empreendimento, a MCA Estruturas; e a Polícia Civil. UMA PERÍCIA judicial também está em processo e será realizada no local. Ainda não há data prevista para o início dos levantamentos, mas a coleta de informações será feita na presença de todos os envolvidos, por engenheiros designados pela Justiça.

    ANÁLISE DO PROJETO > O PROJETO estrutural do condomínio Grand Parc Residencial Resort está passando por uma reavaliação completa, que revê todos os cálculos realizados pelo projetista para a construção dos edifícios. > DESSA FORMA, é verificado se a estrutura foi construída para suportar o peso que está instalado sobre ela. ANÁLISE DA EXECUÇÃO > A EXECUÇÃO da obra conforme o especificado no projeto é a segunda fase apurada durante a perícia. Dentre os quesitos analisados estão as especificações de concreto, aço utilizado no concreto armado e outros. > NESSA FASE também há o início da análise dos materiais utilizados na construção, que devem seguir as especificações do projeto. ESSA FASE pode ser dividida em duas etapas, uma não destrutiva e outra destrutiva. Na não destrutiva, é feita a medição da resistência do concreto com um aparelho. Na destrutiva, são retiradas amostras do concreto e levadas a laboratório para testes.

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